Café com Anime – Kouya no Kotobuki Hikoutai episódio 2

Continuamos com as batalhas aéreas no segundo episódio de Kouya no Kotobuki Hikoutai, o anime das meninas aviadoras que ainda nãos sabemos no que vai se tornar, mas que protagoniza belas cenas de combate aéreo.

Eu já apresentei o projeto Café com Anime anteriormente, mas para os desavisados, eu, Gato de Ulthar, juntamente com outros amigos blogueiros, estamos realizando análises semanais de animes da temporada, a medida que os episódios forem saindo, tudo em forma de conversa entre os participantes.  Nesta temporada, o Dissidência Pop ficou responsável por publicar nossas conversas sobre o anime Kouya no Kotobuki Hikoutai, enquanto o É Só Um Desenho, desta vez, ficou responsável pelo anime Dororo, adaptação de um clássico de Osamu Tesuka. Já o Finisgeekis cobrirá o anime Promised Neverland, o anime mais macabro da temporada. E no Anime21, temos o mahou shoujo dark da vez, Magical Girl Spec-Ops Asuka.

Gato de Ulthar

Não tivemos ainda um aprofundamento na vida pessoal e drama das garotas, mas por um outro lado, tivemos uma interação bem bacana entre elas, dando para perceber a dinâmica das personagens, e de quebra mais uma bonita batalha aérea, não tão emocionante e longa como a do primeiro episódio, mas ainda bem feita e animada.
Acho que o mais importante do episódio foi a introdução de conteúdos políticos bastante interessantes, como quando a passageira do avião, uma política bastante polêmica, levantou a questão do emprego para ex-piratas, e como tal ação tiraria o emprego de pessoas honestas, como as próprias aviadoras protagonistas. E de quebra, tivemos um gancho instigante, a cidade das garotas foi atacada.
Mas antes de realizar especulações mais aprofundadas, gostaria de saber a opinião de vocês sobre o episódio.

Diego

Esse episódio me pareceu tão rápido. Não que ele tenha passado rápido, mas sim que seu ritmo estava ridiculamente apressado. Fala em cima de fala, corte em cima de corte, cena após cena… O anime quase não parou pra respirar por um minuto que fosse. O quão bizarro é que a cena de ação tenha sido o momento mais calmo do episódio?! Sinceramente, eu nem sei se eu entendi qual é a questão política aqui presente, de tanto que uma fala sempre atropelava a outra. Talvez seja porque eu assisti o episódio já tarde da noite, e um pouco com sono, mas foi uma experiência bizarra.
 

Fábio “Mexicano”

Acho que o Diego quis dizer corrido, e eu concordo. O anime derramou informações sobre esse mundo nos nossos ouvidos, mas ainda não foi o suficiente para eu entender o que exatamente está acontecendo. Meu melhor chute é que as cidades ou regiões são na prática semi-autônomas, e há facções que buscam a autonomia e outras que buscam a centralização do poder – parece que essa mulher chata aí está nessa. E ela está envolvida com os piratas? Bom, se o “país” ou o que quer que seja deles não tiver uma força militar grande e organizada, recorrer a piratas pode ser uma opção.

Vinicius Marino

Eu gostei do episódio, muito mais que do primeiro, mas ele me deixou um retrogosto amargo. Antes de criticá-lo, porém, eu preciso me certificar de que entendi as coisas certo. E, para isso, preciso da ajuda de vocês.
É impressão minha ou esses aviões inimigos são Mustangs?

Diego

Meu conhecimento de aviões é negativo, então eu não faço a mínima ideia :stuck_out_tongue:
23 de Janeiro de 2019

Gato de Ulthar

Comparei os dois aviões, parece mesmo, embora não saiba dizer realmente, já que parece que os aviões do anime possuem nomes fictícios próprios, embora sejam baseados em aviões reais.
E bem, o que você precisa esclarecer Vinicius?

Fábio “Mexicano”

Não, são Hiens, eles falam no episódio. Kawasaki Ki-61 Hien:

Gato de Ulthar

Pois é! Vacilo meu mesmo… Minha especialidade é tanques no fim das contas.
Eu pessoalmente teria gostado mais que cada garota tivesse um avião diferente, mas não podemos ter tudo o que queremos, não é mesmo?
Mas voltando ao ponto do Vinicius, penso que ele, assim como todos nós, teve um pouco de dificuldade em acompanhar a história deste episódios.
Vamos recapitular então. Primeiramente tivemos as garotas se envolvendo numa briga de bar, tivemos também a apresentação da Chika, a membro faltante da turma. Elas recebem uma proposta de trabalho muito boa e partem em outra viajem. Essa missão era proteger aquela mulher misteriosa, que pelo que se viu é uma espécie de política, além disso ela conhece muito bem a Madame. Inclusive outro dirigível acompanha a missão. Devido as suas opiniões e declarações polêmicas, a mulher adquiriu muitos inimigos, era quase certo que seria atacada, e foi isso que aconteceu, mas pelo o que parece foram mais que simples piratas que a atacaram, o que é plausível em virtude de sua importância. A mulher fala um monte de coisa, algumas que conseguimos emular para a nossa realidade, como o problema de empregas ex-detentos, e outras mais vagas sobre a política local.
Nesse meio tempo a cidade das garotas é violentamente atacada, vejo que tudo isso possa ter uma conexão maior, e que o objetivo principal talvez nem fosse capturar o matar a mulher misteriosa, mas sim destruir a cidade, e ela pode estar envolvida nisso talvez, mas é mera especulação.
Alguém quer acrescentar algo?

Fábio “Mexicano”

Não é ex-detentos, é ex-piratas mesmo.
Ela propõe uma lei que beneficia piratas e piratas a atacam. Se isso não é suspeito, não sei o que mais é suspeito nesse muito

Gato de Ulthar

Eu quis generalizar o termo para se encaixar em nosso meio. E sim, é bastante suspeito, talvez quem a esteja atacando sejam políticos insatisfeitos? Pode ser muita coisa ainda.

Fábio “Mexicano”

Entendo a generalização que quis fazer, mas ela meio que tira do contexto o que a gente viu no anime.

Gato de Ulthar

Sim, foi boa a sua complementação Fábio.

Vinicius Marino

Bom, sendo ambos caças japoneses minha impressão cai por terra, felizmente. É que há um neo-militarismo japonês que se manifesta em anime como uma fantasia de vingança contra os EUA. Como fica feio fazer isso declaradamente, eles às vezes o “disfarçam” sob alguma roupagem. Kancolle é o melhor exemplo. Fiquei com medo de que Kotobuki fosse seguir no mesmo caminho, mas felizmente não parece o caso.

Fábio “Mexicano”

É uma coisa que me incomoda em muito anime também
Mas por enquanto, pelo menos por enquanto, Kotobuki está “limpo”
E continua sendo um deleite para otakus militares, mesmo assim

Vinicius Marino

Melhor dos mundos.

Vinicius Marino

Bom, sobre o mundo do anime em si, acho que as expectativas do Gato de que se trataria de um Velho Oeste de uma forma ou de outra se concretizaram. A menção a assentamentos independentes, uma arena política disputada, mas distante e piratas numa capacidade semi-oficial lembra bem uma sociedade de fronteira.
De resto, eu amei essas senhoras e queria um anime só delas. Adolescentes fofas que nada. São femmes fatales balzaquianas que fazem meu coração disparar :heart_eyes:

Diego

Falando em velho oeste, eu amei a trilha sonora durante a batalha aérea. Melhor momento no episódio.

Gato de Ulthar

Adentrando no pouco que sabemos da trama, o que vocês acham do conteúdo político deste episódio? Com aquele papo de piratas conseguirem empregos como aviadores e tudo mais.

Fábio “Mexicano”

Confuso pra caramba. Só consigo ter certeza que o lado que a Julia está é o lado “errado” (não necessariamente “do mal”, mas aposto que sim), porque ela foi uma personagem retratada dessa forma desde sua introdução.

Diego

Concordo com o Fábio. Não deu pra entender quase nada, em boa parte graças ao quão atropelado foram as falas. Para ser bastante sincero eu nem entendi porquê querem dar emprego a ex-piratas em primeiro lugar. A verdinha fala algo sobre juntar forças, mas nem sei se era sobre isso e muito menos se ele o fala porque sim ou se se trata de juntar forças contra algo maior. Pondo em termos técnicos: estou mais perdido que cego em tiroteio :stuck_out_tongue:

Fábio “Mexicano”

Ela estava falando sobre as cidades quando falou em juntar forças. Algo como “juntos somos mais fortes”, mas mais fortes para quê? Contra ou comparado a quem?

Diego

Pois é, confuso demais.
E eu entendo se o ponto fosse foreshadow, mas nem sei se foi mesmo a intenção.

Fábio “Mexicano”

Enfim, ela defende a centralização do poder. Eu dou um crédito para esse anime, apesar de “confuso”, foi uma conversa que pareceu natural. Não sei se um infodump, com alguém simplesmente resolvendo contar tudo porque sim, teria sido melhor.

Diego

“Melhor” não teria sido, mas isso é uma história. “Natural” só é importante na medida em que ajudar. Quando começa a atrapalhar, mais vale buscar algum tipo de meio termo.

Fábio “Mexicano”

Então, acho que não chegou a atrapalhar, mas de fato ajudou pouco. Se continuar assim em todo episódio daí começaremos a ter problemas.

Diego

Todo mundo fala em assistir vídeos em velocidade mais alta. Kotobuki veio pra dizer “vai, faz isso com a gente, filho da p*” :smile:

Fábio “Mexicano”

Mas acho que faz parte da personalidade petulante da Julia, né? Falar mais do que a boca.
Que ela apareça menos :stuck_out_tongue:

Diego

Mas ninguém calou a boca o episódio inteiro!

Fábio “Mexicano”

As garotas a gente podia ignorar porque não estavam falando nada importante.
 

Vinicius Marino

Não falem mal da Júlia. Eu amo a Júlia. :heart: Mais Júlia, menos adolescentes chatas. Exceto aquela amarela que se veste de Grid Girl. Essa pode ficar :grin:
Enfim, política no episódio. Talvez eu esteja bitolado com a ideia de Velho Oeste, mas acho que o que escutamos até agora bate com uma sociedade de fronteira.
Aos leitores que talvez não tenham familiaridade com o tema, a expressão “sociedade de fronteira” geralmente é associada ao historiador do século XIX Frederick Turner (https://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Jackson_Turner), que a usou para tipificar a formação e caráter dos EUA.
Não se trata simplesmente de “Velho Oeste”, mas de uma sociedade que ficaria entre a “civilização” e a “barbárie”, o explorado e o inexplorado. Onde as instituições do Estado não funcionam da mesma forma como na metrópole e muito fica a cargo dos indivíduos e da iniciativa local. Segundo o Turner, boa parte das tradições americanas (o individualismo, as ideias de propriedade, o federalismo) vieram do fato dos EUA terem sido, durante muito tempo, uma “fronteira”.
Os conflitos que vemos agora parecem típicos desse tipo de ambiente: a disputa entre centralização/descentralização, a atividade de bandos armados independentes, a tentativa de assegurar um monopólio do uso da violência legítima (“recrutando” piratas em agentes oficiais). Em todas as sociedades que passaram por isso a “fronteira” não foi extinta sem resmungos. Para aqueles que prosperam num faroeste, um sistema estruturado, que funciona que nem relógio, nunca é bem vindo. De onde o antagonismo político que Júlia parece retratar.

Fábio “Mexicano”Última Quinta-feira às 12:40

Basicamente, imagine que o Oeste foi conquistado não com carroças e trens, mas com aviões e dirigíveis.

Gato de Ulthar

Muito obrigado Vinicius pelos apontamentos do que seja uma “sociedade de fronteira”, e é por aí mesmo que se parece Kotobuki. Isso que ainda estamos teorizando completamente, não sabemos praticamente nada além dos vislumbres que o episódio passou sobre a situação política da região.
Um outro aspecto interessante desse mundo do anime, é que não parece haver nenhuma força de segurança pública, o combate aos piratas parece ser exclusivamente privado, não vimos nenhuma espécie de militar até o momento. O que acham dessa situação?

Fábio “Mexicano”

Se for como a fronteira americana, existe um exército que pode ser convocado em casos realmente graves. Mas no mais das vezes eles estarão contando com justiceiros, pistoleiros, forças de segurança aclamadas pela população local ou mercenarios mesmo.
 

Vinicius Marino

Pois é. Me parece que a diferença entre “bandido” e “mocinho” é quem está pagando quem.
Imagino que exista uma força militar pela simples razão de que alguém precisa produzir esses aviões. Duvido muito que vigilantes e piratas justifiquem os custos de fabricar esse tipo de máquina.
 

Diego

Até o momento só vimos instituições privadas em todos os sentidos. Por um lado, isso talvez sugira que estamos mesmo lidando com algum tipo de ancapistão. Por outro, talvez seja justamente por só termos visto empresas privadas que assim nós seguimos. Ou seja, não é que não há instituições públicas, mas sim que as empresas (ou a empresa) preferem contratar gente a ter de depender da força policial, se ela existir.
 

Gato de Ulthar

E sobre a batalha aérea, querem comentar algo? De alguma forma ela foi pior ou melhor do que a do primeiro episódio?

Fábio “Mexicano”

Dá pra esconder 30 avião atrás de 5 daquele jeito e enganar o inimigo com a tecnologia da época? Só fiquei em dúvida sobre isso. De todo modo, essas garotas são brabas mesmo hein, olha a desvantagem em que estavam e mesmo assim venceram. A batalha no primeiro episódio ainda foi mais legal.
 

Vinicius Marino

Bom, esses aviões são contemporâneos à invenção do radar, então acho que eles teriam notado que havia algo errado. Se bem que os japoneses demoraram bastante para adotar certos usos de radar e continuaram a contar com o “olhômetro” para muitas coisas (por exemplo, para guiar mira de canhões navais). Neste caso, seria teoricamente possível enganar o inimigo.
Sobre a batalha em si. Como tomada, achei-a menos impressionante que a primeira, o que me dói no coração, pois critiquei bastante o comprimento da anterior.
O fato dos inimigos serem tão numerosos e as garotas terem plot armor prejudicou um pouco meu envolvimento.
Dogfights são mais legais quando existem áses de ambos os lados e temos algum sentimento de perigo. Nem que sejam apenas alguns red shirts morrendo, como o Padre e sua companhia no episódio passado.

Diego

Vou ter de fazer coro com todo mundo. Enquanto eu achei a luta a melhor parte do episódio, ela ainda foi bem menos impressionante do que a do episódio anterior.
Ah, e é impressão minha ou eles têm sim um radar? Ou algo semelhante? Porque parece que quando os aviões inimigos “se separaram”, uma das mulheres no dirigível foi quem falou que havia em torno de 30.

Vinicius Marino

Nesse caso, eles teriam conseguido ver a fila indiana se movendo, não?

Diego

É exatamente meu ponto. Se há radares, como foram enganados? Se não há, como a mulher lá contou os inimigos? :stuck_out_tongue:

Gato de Ulthar

Acho que esse é um mistério que não conseguiremos resolver! Até o próximo episódio então!

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